Afroturismo Queer e o Tombamento do Túmulo de Madame Satã: Reparação Histórica no Turismo Cultural
Memória Afrodissidente como Estratégia de Inclusão Patrimonial no Brasil
Palavras-chave:
Afroturismo; Turismo LGBTQIA+; Madame Satã; Tombamento; Interseccionalidade, Afrotourism; LGBTQIA+ Tourism; Madame Satã; Heritage Listing; Intersectionality, Afroturismo; Turismo LGBTQIA+; Madame Satã; Declaración Patrimonial; InterseccionalidadResumo
O presente estudo analisa o conceito inovador de Afroturismo Queer proposto por Baltazar de Almeida e sua aplicação no caso do tombamento do túmulo de Madame Satã. Essa proposta insere-se no contexto do turismo LGBTQIA+ e do Afroturismo, setores em expansão significativa, conforme dados recentes (BRASIL, 2011; BRASIL, 2024b). Adota-se a interseccionalidade como eixo teórico (CRENSHAW, 1989; HILL COLLINS, 2000; BILGE, 2013) para enfatizar a sobreposição de opressões raciais, de gênero e sexualidade na cultura brasileira. Discute-se também a dimensão político-institucional da iniciativa: o pedido formal de tombamento no IPHAN (SEI nº 01450.000869/2025-85) conta com ofício do Ministério da Cultura e apoio de entidades como o Museu Bajubá e o Grupo Arco-Íris (ALMEIDA, 2025a; BRASIL, 2025). Destacam-se lacunas patrimoniais em relação à história LGBT no Brasil, caracterizadas por "lacunas, ausências e silenciamentos" constantes (SOUZA; JUNQUEIRA, 2020), o que torna o tombamento de Madame Satã uma ação de reparação histórica, capaz de integrar sua memória em roteiros turísticos voltados às culturas negra e LGBTQIA+.
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