Colonialidade algorítmica e a regulação das dissidências: informação, memória e dispositivos de normalização na inteligência artificial
Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Colonialidade, Performatividade, Normalização, Memória LGBTQIA+Resumo
Este artigo analisa criticamente a Inteligência Artificial (IA) enquanto regime informacional e dispositivo de poder-saber, articulando as contribuições de Judith Butler, Guacira Lopes Louro e Michel Foucault com as epistemologias do Sul Global. O objetivo central é compreender como a IA atua na normalização, regulação performativa e produção de verdade sobre identidades e memórias LGBTQIA+. Argumenta-se que a racionalidade algorítmica não é meramente técnica, mas uma atualização da colonialidade do saber, do ser e do poder que busca estabilizar a fluidez das identidades dissidentes em categorias fixas e binárias para fins de gestão e controle. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa teórico-crítica que integra análise bibliográfica com o exame de processos de dataficação, moderação algorítmica e curadoria automatizada. A análise demonstra que a exclusão algorítmica é estrutural e opera como uma forma de epistemicídio e desumanização ontológica. Conclui-se que a disputa por justiça informacional exige o reconhecimento de saberes insurgentes e a recusa da legibilidade total como estratégia de resistência.
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