O corpo-tela espiralar de Sued Nunes
Musicalidade e memória do Recôncavo Baiano
Palavras-chave:
Sued Nunes, Memória, Imagem e Som, Recôncavo Baiano, Corpo tela e corpo espiralarResumo
Nesse ensaio, as memórias negras se revelam a partir das performances artísticas da cantora baiana Sued Nunes, ao levar em consideração que a poesia recitada e performatizada na própria voz parecem abrir caminhos através do corpo agora lido como recordações deixadas ou trazidas de suas ancestralidades em diáspora. Esse sentido de re-mememorar alinha-se aos toques identificáveis de uma Bahia que tem um tanto de uma África em ritual e de um Recôncavo Baiano cantado em festas, rezado em procissões, profanado e ao mesmo tempo referenciado em vestes simbolizadas pelo branco, azul e vermelho. São os signos encontrados na Lavagem do Bonfim, Festa de Santa Bárbara e Festa de Iemanjá. É nesse sentido que desarquivo um tempo que cabe nessa profusão de entidades visíveis, onde a menina ainda carrega as marcas de um mulherio negro que faz de seu canto um chamado às lutas, mas com um tanto de dengo e de firmeza ao soltar o timbre. É desse lugar que o colo de vó e de mãe se tornam lugares de aconchego e de guarda de memórias ao mesmo tempo em que servem de caminhos para acolher a música como lembrança fincada na terra que ficou.
Referências
BOUGNOUX, Daniel. Introdução às Ciências da Comunicação. Tradução. Maria Leonor Loureiro. 1ª edição. Bauru, São Paulo, EDUSC, 1999.
EVARISTO, Conceição. Becos da memória. 2ª. Edição. Florianópolis: Editora
Mulheres, 2013.
FOUCAUT, Michel. Arqueologia do Saber. Tradução Luiz Felipe Baeta Neves - 3ª edição – Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987.
MARTINS, Leda Maria. Performances do corpo espiralar, poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro, Cobogó, 2021.
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